Ser mãe cansa!

Hoje li um texto extraordinário que, de um jeito muito sincero, relatou sobre como é cansativo ser mãe. O tom não era de uma mãe insatisfeita, não era de arrependimento e nem de uma pessoa reclamona. As doces palavras só relataram tudo que uma pessoa comum vive quando faz uma escolha importante na vida.

Vou contar a mesma história de ponto de vista diferente: Você acabou de se formar e decidiu que quer ser o melhor no que faz e vai se dedicar dia e noite para alcançar o sucesso profissional. Você vai trabalhar até mais tarde na empresa, vai propor melhoria no seu setor, vai estudar em casa diversos artigos relacionado ao problema que está vivendo na empresa, vai fazer cursos para melhorar o seu currículo, vai aprender idiomas, planejar sua rotina para não chegar atrasado, fazer alguns programas com os colegas para criar bons relacionamentos, vai abrir mão de outros relacionamentos (pois o tempo é curto de mais) enfim, sua vida gira em função de um único objetivo, secesso profissional! Depois de alguns anos lá está você, bem sucedido, fazendo viagens (talvez curtas, mas bem bacanas), consegue comprar a sua casa e tem um bom carro. Essa pessoa passou por muitos momentos ruins, na verdade os momentos ruins foram a maioria, mas isso é normal, não existe conquistas sem sacrifícios. Noites mal dormidas, dias estressantes, teve que engolir sapos e mais sapos, eventos não muito agradáveis, familiares te julgando, pessoas querendo seu pescoço…acredite, a maternidade exige o mesmo de uma pessoa muito dedicada e esforçada em prol de um objetivo e esse caminho não é um caminho de flores.

Ser mãe ainda é uma escolha, uma escolha muito séria e nós mães escolhemos criar pessoas, aducar seres. Não queremos apenas deixar um mundo melhor, queremos deixar pessoas melhores nesse mundo. 

85% da minha vida me dedico a super valorizar os bons momentos e ser grata pelas grandes e pequenas conquistas, mas se me permitirem utilizar meus 15% do meu lado down aqui, gostaria de relatar a minha dor: as pessoas podem achar que levo a maternidade muito ao vento, que as coisas fluem sem muito esforço, que a maternidade pra mim é mais fácil, não, não é: tem mais de um ano que não durmo mais do que 3 horas sem interrupção, tem mais de um ano que acordo cansada, tem mais de um ano que minhas energias são canalizadas para um único ser e mais de um ano que eu sou meu segundo plano (E tem muito mais), não gosto muito de falar sobre os momentos ruins da maternidade, acho isso muito íntimo e muito chato de ouvir, mas esse texto que li hoje me encorajou a dizer que sou um ser comum que fez uma escolha, está se dedicando ao máximo e passar pelos momentos ruins fazem parte do show. (Acho que na maternidade temos menos controle da situação) Mães que criam filhos para o mundo sabem que são apenas alguns anos, depois eles vão caminhar com as próprias pernas e todo o esforço em dar a melhor educação, o melhor exemplo, o melhor do seu tempo e a melhor energia valerão a pena, pois sem dúvida eles estarão prontos para fazer a melhor escolha! E aí, você vai olhar pra trás e ver que o sofrimento passou, que valeu a pena as noites mal dormidas e nem vai se lembrar de como deu conta de tudo. Todo sacrifícios em benefício de um ser (não digo só de filhos, mas de pais, amigos, avós, até um desconhecido) não é em vão. 

E para finalizar, é preciso valorizar a pessoa que cuida da mãe. Todo meu controle emocional vem de quem cuida de mim e o efeito cascata reflete na harmonia que vivemos dentro de casa. Não é fácil carregar a responsabilidade de sustentar uma família, dar suporte emocional para a mãe, ouvir ela chorar porque o filho está chorando e não poder fazer muita coisa, de chegar cansado e ter que ouvir sobre o mesmo assunto todos os dias (infelizmente a mãe nos primeiros meses vive dentro de uma bolha chamado fralda, mamá e “morrendo de sono”), perder algumas noites, atrasar a alguns compromissos enfim, os cuidadores das mães também passam por anos não muito fáceis. Então vai aqui minha eterna gratidão ao meu parceiro de vida.

Ser mãe cansa, mas toda e qualquer dificuldade é esquecida quando recebemos um simples sorriso ou um toque de carícia. 

Depoimento de um parto normal!

Vamos iniciar hoje uma série de relatos de mães que encontro pela vida e pela internet. Já li tantas histórias lindas, já chorei inúmeras vezes me colocando na pela daquela mãe e aprendi que cada mãe tem seu tempo, seu limite, que cada bebê também tem seu tempo e suas limitações. Respeitar a decisão de uma mãe é tão importante quanto respeitar a religião de cada ser. Aprendizado que quero levar para a vida toda!

Mandei 5 perguntas para a mamãe descrever seu relato

  1. Maior desafio na gestação;
  2. Como foi seu parto;
  3. Amamentação foi fácil?;
  4. Um momento exaustivo da maternidade;
  5. Um momento gratificante da maternidade (não vale ser o parto).

Então vamos a primeira história da:

Lívia

Bom começando pelo começo, Meu nome é Thaís, tenho 28 anos, estudante de jornalismo e sempre fui uma pessoa que adora ficar sozinha, sempre gostei do sossego de poder ficar sozinha com meus pensamentos e com minhas coisas, então por isso a maternidade era um sonho bem distante, tinha total pavor de engravidar. Tenho um relacionamento que ao todo já são mais de 13 anos juntos e a cobrança das pessoas pelo bebê sempre foi grande mas não me sentia preparada e nem com vontade. Com o passar do tempo comecei a olhar para crianças de uma forma diferente e a pensar em como seria se eu tivesse uma, decidi então que queria um filho mas só depois dos 30 anos, mas ainda tinha 26. Quando já estava com 27 anos foi como num estalar de dedos, uma certa noite chorei muito, queria ser mãe, queria muito, já queria até ter um filho, já queria que ele tivesse nascido e  que estivesse em meus braços, foi um sentimento novo, estranho e de certa forma perturbador porque eu fiquei literalmente desesperada para ser mãe, sentia que faltava isso para ser plenamente feliz, não sei mas acredito que Deus tenha me tocado em meu sonho e dito vai lá, a hora é agora!
Decidimos então parar com o remédio e papum, era a hora mesmo, menos de 20 dias depois eu estava gravida, mas só descobri depois de 2 meses.
Minha menstruação desceu e eu chorei, fui consolada pelo meu marido que me disse que nosso filho viria na hora certa, mal sabíamos que ele (ela no caso) já estava la, forte, com o coração como se fosse um cavalinho apostando corrida. =)
No dia dos pais do ano passado fui na missa de manhã e fiquei pensando, vai que meu marido já é pai e a gente não sabe, vou fazer o teste de farmácia amanhã cedinho, mas esqueci então acabei fazendo na terça.
Tudo o que eu mais queria era ser mãe, tudo o que ele mais queria era ser pai, tudo o que mais queríamos era ver esse sonho se realizando mas na hora que vi dois tracinhos na tirinha e eles não apagavam enquanto eu escovava os dentes sem tirar os olhos dele meu coração deve ter parado por uns 10 segundos, estava la, resultado positivo. Eu havia imaginado varias surpresinhas para contar para o Diego quando isso acontecesse e a unica coisa que consegui fazer foi sair do banheiro chorando com o exame na mão e dizer, se isso aqui tiver certo mesmo eu to gravida.
No mesmo dia fui fazer o exame de sangue, muito nervosa, afinal minha vida estava prestes a mudar completamente e tudo colaborou para que eu ficasse mais nervosa ainda, deu problema na liberação do laudo e o resultado só sairia no outro dia, quase não dormi, no outro dia fui la buscar o exame, lembro que no laudo estava assim, resultado negativo se for abaixo de 30UI, o meu deu mais de 16 mil, GRAVIDISSIMA!!!
Escrevi no espelho do quarto parabéns papai para quando o Diego chegasse, muito choro de alegria, uma felicidade tomou conta da gente mas não tínhamos noção do tanto de coisas maravilhosas ainda iriam acontecer. Das alegrias cada vez que ela mexia na barriga, cada ultrassom que o médico mostrava ela em 3d e ficávamos loucos, minha barriga ia crescendo na mesma proporção que meu amor pela minha filha ia aumentando. Lembro certinho da primeira vez que eu senti ela mexendo, estava sozinha no serviço comendo uma maçã, na hora fiquei muito emocionada, ela ali mexendo como quem diz, mamãe você nunca mais estará sozinha.
Mas falando do outro lado, tive medo sim, muito, não estava em um momento financeiro tão bom, no meio do meu curso na faculdade, estagiando na minha área mas sabendo que não existe licença maternidade para estagiaria, medo de ter que parar a faculdade, medo da zika, medo dela nascer com alguma imperfeição, medo de não dar conta, medo de não ser pra ela a mãe que eu sempre quis ter, medo de acontecer alguma coisa e eu precisar cria-la sozinha, medo de não conseguir ter o parto normal, então não tinha como não pensar no futuro e ficar com medo.
Minha gravidez toda foi muito tranquila, trabalhei bastante, tanto no estagio quanto fazendo doces pra festa que é um segundo trabalho, andei muito, empolgada correndo atrás das coisas do quarto e das coisas dela.
Como ja queria o parto normal por questões obvias né? fui em busca de uma médica que respeitasse e apoiasse minha decisão e encontrei a incrível Dra. Alessandra, desde a primeira consulta me senti segura e sabia que ela era a médica certa. Tudo muito tranquilo, crescimento do bebê, pressão, evolução da gravidez até que esbarrei em um problema, meu peso, eu ganhei ao todo 9,5 kg na gestação mas engravidei já acima do peso e a médica pegou muito no meu pé e esse sem duvida foi o fator que mais me incomodou na gestação, não consegui curtir pra valer porque a todo momento tinha medo de engordar, não por ficar gorda mas pela diabetes gestacional que me apavorava essa possibilidade. Posso dizer que meu maior desafio na gestação foi esse, poder desencanar dessa preocupação.
Meu parto foi MARAVILHOSOO, doído, sofrido mas maravilhoso, e a satisfação de ter conseguido ter minha filha de forma natural foi essencial para que tivesse nascido ali outra mulher, me sinto muito mais forte e capaz de enfrentar qualquer coisa. Entrei em trabalho de parto no dia que completava 37 semanas, desde 35 semanas eu ja andava com medo pois tinha certeza absoluta que nasceria antes do tempo, quando me perguntavam pra quando era o bebê eu sempre dizia, acho que nasce em março (a data prevista era pra abril), e assim foi, ela nasceu dia 17 de março, em um lindo e emocionante parto humanizado, ao som de “fico assim sem você” da Adriana Calcanhoto, depois de mais de 18 horas de trabalho de parto, sendo dessas 18, 12 horas com dores, não me arrependo em momento algum, ela saiu e veio direto para os meus braços, quentinha, quietinha, olhando pra mim e para o pai dela, nasceu rosinha e com a boca vermelha, com o cordão umbilical bem curtinho, saiu cuspida, mal coroou e já saiu inteira rs, 44 cm e 2.740 kg do mais puro amor da minha vida. Foi muito melhor do que eu havia planejado e passaria por isso de novo com certeza. (já imagino minha pequena junto comigo no próximo parto participando de tudo =D)
A amamentação não foi fácil e ainda não é, eu não tinha nada de bico no seio, ela até mamou um pouquinho quando nasceu mas pedi auxilio para a enfermeira do hospital, tentamos de todo jeito até que ela me trouxe um bico de silicone que deu super certo, minha filha mamou os dois peitos seguidos, mas a enfermeira pediu que eu usasse por 2 dias só pra não acostumar. Quando fomos pra casa minha filha não conseguia mamar, chorava, ficava nervosa e eu pra não ver ela com fome colocava o bico de silicone, e aconteceu o que a enfermeira falou, ela acostumou, depois só mamava com ele, tava de certa forma tudo certo, não tinha machucado meu seio, e ela se alimentava super bem, a pediatra me disse pra ficar tranquila que uma hora ela pegaria direto no peito, pois é, ela pegou, com quase 3 meses começou a pegar, e agora esta acontecendo o que era pra ter acontecido no começo, o seio machucado, dói e as vezes eu não aguento e coloco o bico de silicone por causa da dor, a frustração é grande, mas a paciência também é, amo dar mama pra ela, amo ela olhando nos meus olhos e sorrindo com meu peito dentro da boca, então desistir jamais.
Ah um momento exaustivo na maternidade com certeza são as noites mal dormidas, foi e ainda é difícil, no começo ela acordava muito mais, mas ainda hoje acorda pra mamar, tenho a impressão que se eu dormisse o dia todo ainda não ia conseguir ficar descansada rs, mas faz parte e apesar de ser cansativo é gratificante e tudo vale muito a pena.
Essa quinta pergunta é a mais difícil (já que não vale o parto rs). Tudo é muito gratificante, o que a Lívia trouxe pra minha vida eu não consigo achar palavras pra descrever. Ela trouxe luz, trouxe esperança, trouxe amor, Deus me deu uma filha perfeita, super saudável. Quando olho pra ela tenho ainda mais certeza do quanto Deus me ama e me da a chance todos os dias de ser uma pessoa melhor.
Enfim, se eu pudesse dar um conselho para as pessoas seria, tenham um filho, é maravilhoso, transformador, a chance de criar, educar e formar um ser humano de bem é desafiador mas é muito mais gratificante do que podemos imaginar.
Obrigada pela chance de poder falar um pouquinho (quer dizer, muito né, rs) sobre a minha experiência.
Beijos.
Por Thaís Fávaro